Posted by: gluedtke | December 2, 2007

Resenha do livro Weaving the Web – de Tim Berners-Lee

O livro conta a epopéia de Tim Berners-Lee, o inventor da World Wide Web.  

Nos últimos quinhentos anos, diversas descobertas contribuiram para o salto de desenvolvimento intelectual que a humanidade se encontra atualmente, desde a tipografia de Guttemberg em 1436, passando pela invenção da eletricidade por Tomas Edison em 1879,  a invenção do telégrafo e do telefone por Alexandre Gran Bell, o desenvolvimento do rádio por Guglielmo Marconi, e mais centenas de outras descobertas e invenções que facilitaram a vida de milhares de pessoas no mundo inteiro. Porém, uma das mais importantes invenções do século é sem dúvida a que estamos vivendo atualmente a World Wide Web”. 

Como tudo começou

As primeiras pesquisas para a comunicação entre computadores surgiram no início da década de 60 e lá se foram trinta anos de pesquisas período no qual a Internet era acessível basicamente à universidades, órgãos de pesquisa e instituições militares, até que, na década de 80 um gênio chamado Tim Berners-Lee começa a desenvolver uma linguagem capaz de universalizar o uso da Internet e torná-la acessível a todos nós como está sendo atualmente. Tim Berners-Lee é considerado uma das 100 mentes mais brilhantes do século XX e atualmente ele ocupa o cargo de diretor do consórcio World Wide Web, coordenando a estrutura de desenvolvimento da Web, além de presidir também o laboratório de Ciências da Computação do MIT (Massachusetts Institute of Technology).

Em seu livro Weaving the Web (Tecendo a Web) Berners-Lee conta a sua trajetória como pesquisador e idealizador dos conceitos e idéias que nortearam o desenvolvimento dos primeiros softwares de navegação intuitiva. O pai e a mãe de Berners-Lee eram matemáticos e também trabalhavam com programação de computadores, eles estavam muito empolgados com a idéia de programar um computador para que ele pudesse executar tarefas mediante instruções previamente definidas, dentro de uma determinada lógica, porém, o computador possui restrições, bem diferente da mente humana que possui a habilidade de fazer ligações aleatórias aos dados memorizados. Berners-Lee cita um exemplo: “quando eu sinto um aroma de café forte, eu me transporto imediatamente para uma pequena sala localizada em cima de uma casa de café em Oxford. Meu cérebro faz o link, e instantaneamente me transporta para lá.”Um dia, Tim Berners-Lee chegou em casa do colégio e encontrou seu pai elaborando uma conferência para Basil de Ferranti. Ele estava lendo livros sobre cérebro, procurando por pistas sobre como fazer um computador intuitivo, capaz de completar conexões como o cérebro as faz. Ambos discutiram um pouco o assunto e aquilo ficou na mente de Berners-Lee durante todos os seus estudos até sua graduação em Física na Universidade de Oxford em 1976. 

Os primeiros passos para a Web

Em 1980, Tim Berners-Lee foi trabalhar no CERN (Centro Europeu de Pesquisas Nucleares), porém ele foi contratado apenas como físico. Berners-Lee ficou impressionado com a quantidade de computadores e parafernálias eletrônicas que estavam em operação. Eram milhares de cientistas e profissionais que trabalhavam fazendo pesquisas e produzindo documentação. Os computadores, eram gigantescos mainframes que ocupavam salas inteiras, para um cientista ter acesso a um computador era uma verdadeira romaria, tinha até fila para usar computador e muitas informações acabavam tendo que ficar na cabeça dos cientistas. Por incrível que pareça muitas vezes as informações eram passadas de uma pessoa para outra nas conversas nas mesas de café estrategicamente dispostas nos corredores. Nas horas de folga Tim Berners-Lee escrevia algumas linhas do seu tão sonhado programa de navegação intuitiva que ele chamava de Enquire*.  “Quando obtive uma versão bem primitiva do software, eu comecei a usá-lo para rastrear quem escreveu qual programa, qual programa rodava em qual máquina e quem fazia parte de qual projeto.Discuções informais eram invariavelmente acompanhadas de diagramas em forma de circulos e flexas rabiscados sobre guardanapos e envelopes, porque isto era um meio natural de relacionar pessoas com equipamentos.No Enquire, eu pude digitar em uma página informações sobre uma pessoa, um dispositivo ou um programa. Cada página era um ‘nó’ dentro do programa, como se fosse um cartão de índice. Os links de um nó para outro eram indicados por uma lista numerada no rodapé de cada página.Eu adorei Enquire, e fiz um bom uso dele porque armazenava informações sem o uso de estruturas como matrizes ou árvores. O cérebro humano usa esse tipo de estrutura de organização o tempo todo.” Assim, Berners-Lee foi expandindo o uso do seu programa, e ele o fez de tal maneira que só dava para acrescentar uma nova informação se esta fosse ligada a uma informação já existente. A cada novo link adicionado ele fazia uma descrição a que era relacionado. Ele aprimorou o seu “software” e criou links dentro das páginas e também de dentro das páginas para outros arquivos.    

O aprimoramento e a padronização

Após um determinado período, ele saiu do CERN e continuou suas pesquisas vindo posteriormente a desenvolver um protocolo para facilitar a comunicação entre diferentes computadores. Nascia o TCP (Transmission Control Protocol), um protocolo que permite um computador enviar dados a outro computador, quebrando a informação em pequenos pacotes e remontando-o novamente no outro lado.O TCP funciona em conjunto com o IP (Internet Protocol), o IP é como se fosse um CEP, cada computador ou servidor Web conectado deve possuir um IP para poder enviar ou receber pacotes pela internet. Por exemplo, no exato momento em que conectamos o modem ADSL para navegar na internet, o nosso computador manda um sinal para o provedor de acesso, e este então atribui um IP ao nosso computador para que possamos continuar a navegação.Paralelamente, Berners-Lee também desenvolveu a linguaguem HTML (Hyper Text Markup Language), uma linguagem universal que pode ser lida por qualquer computador de qualquer fabricante e de qualquer sistema operacional sem distorções ou perda de dados, para isso é usado o protocolo HTTP (Hypertext Transfer Protocol).O HTTP é um protocolo tão simples que permite a exibição de páginas Web com incrível rapidez.Berners-Lee ainda descreve no livro como foi o processo de padronização e definição das regras e estruturas da internet, o envolvimento de outros pesquisadores e instituições, o surgimento dos primeiros navegadores para internet, a batalha entre Netscape e Microsoft Explorer, a expansão dos servidores de acesso, a entrada das empresas com a publicação de suas homepages, a guerra entre provedores para a conquista de mais e mais usuários e como foi sua espansão no mundo inteiro. 

O futuro da Web

No livro, Berners-Lee expõe seu sonho para o futuro da Web. O sonho dele se divide em duas partes. Na primeira parte, a Web como uma poderosa ferramenta de colaboração entre as pessoas de maneira intuitiva e não somente através de um browser, mas a possibilidade de poder criar e interagir.Na segunda parte de seu sonho, a possibilidade de os computadores trabalharem para nós. As máquinas seriam capazes de analizar os dados da Web – o conteúdo, links, e transações entre pessoas. É a “Web Semântica” , quando isso acontecer as transações de negócios, burocracias e a vida no nosso dia a dia será administrado pelas máquinas, liberando as pessoas para a “inspiração e intuição”.   * inquirir, investigar, interrogar; pesquisar; indagar


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