Uma Loucura por uma Paixão Motociclística

Eu sempre fui um apaixonado por motos, mais especificamente motos do tipo Touring de grande porte para realizar longas viagens. Há muitos anos eu vinha sonhando com um brinquedo desses, porém sempre haviam outras prioridades na frente, como por exemplo; minha casa, carro da família, meu curso superior, escola de boa qualidade para as filhas.

Só que chegou um momento que a ansiedade de ter a tal motocicleta estava aumentando a tal ponto de se tornar incontrolável. Diariamente eu acessava os classificados de motos nos sites especializados na internet, sites dos principais fabricantes de motos e revistas especializadas até de fóruns de motos eu já estava participando mesmo sem ainda ter a minha moto.

Só que tinha um problema a minha esposa sempre foi contra essa minha idéia, por várias razões, principalmente a segurança e o risco de acidentes, além do custo elevado dessa aquisição. Segundo ela ainda teríamos outras prioridades. Eu concordo com ela, realmente ainda faltam algumas coisas, como por exemplo os lustres da nossa casa, um jogo de sofás novos para sala …

Só que eu já tenho 43 anos e não quero esperar mais, mesmo podendo estar correndo o risco de estar dando um passo maior que a perna. Cheguei a prometer para mim mesmo que não iria mais acessar os classificados de motos, só que a tentação é irresistível e acabo acessando. Eu já sabia de cór todos os preços de mercado de todas as motos e já sabia avaliar quando era tentador ou não. Chegaram a surgir várias oportunidades boas mas todas ainda estavam fora do meu alcance financeiro.

Até que chegou o momento, surgiu um anúncio que eu não podia perder, mandei mensagem para o anunciante, depois liguei para lá, falei com a gerente da minha conta para financiar uma parte, ela prontamente aprovou meu crédito.

Detalhe a moto estava em Petrópolis no Rio de Janeiro, cerca de 1600km da minha casa no Rio Grande do Sul. Outro detalhe já fazia 20 anos que eu não pilotava uma moto e eu teria que vir rodando com ela de lá, pois mandá-la via transportadora iria se tornar muito oneroso.

Bom, a minha esposa só ficou sabendo da minha compra um dia antes da minha viagem ao Rio de Janeiro. Eu sabia que ela iria ficar muito zangada comigo e iria ficar um tempo sem falar comigo. Daí a decisão de falar para ela só um dia antes da viagem, assim ela só fica um dia sem falar comigo e eu já viajo. Na sexta-feira de manhã do dia 05/03/2010, ela me levou ao Aeroporto pela manhã. No carro, os 20 kilômetros que separam minha casa até o aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre, foram de um silêncio fúnebre e na despedida, aquele olhar repreendedor seguido das palavras, “Espero que tu saibas o que estejas fazendo”!Aquelas palavras ecoaram profundamente na minha alma e daquele momento em diante até eu fiquei em dúvida comigo mesmo e cheguei a pensar, será que é isso mesmo que eu quero? Porque estou fazendo isso! Será que estou dando um passo maior que a perna? Será que estou sendo inconsequente? E se realmente acontecer algo grave comigo durante a viagem? Afinal já fazem mais de 20 anos que não piloto, além de nunca na minha vida ter pilotado uma moto de grande porte. Minha esposa jamais me perdoaria se algo grave me acontecesse, pois tenho duas filhas que me amam muito que ainda precisam muito de mim.

Bom, finalmente chego ao destino e vejo de perto, ao vivo e a cores a tão sonhada máquina. As fotos na internet não dão a dimensão exata do que ela é na realidade, a moto é enorme e muito linda. Me sinto como uma criança que ganha um brinquedo no natal, é paixão à primeira vista, dá vontade de abraçar e sair correndo.

O pessoal da Concessionária Yamaha MOTOMUNDI de Petrópolis foi muito receptivo e atencioso, principalmente o Sr. Paulo Lyra dando me todo o suporte e acompanhamento até a saída de Petrópolis no dia seguinte (sábado de manhã bem cedo). Já aproveitei e comprei toda a minha indumentária de motociclista na boutique da loja MOTOMUNDI.

Tive a oportunidade de conhecer o Ex proprietário da moto o Sr. Valmor e sua esposa, são pessoas sensacionais e apaixonados pela motocicleta.

Agora vamos à viagem  de retorno, o tempo estava fechado e havia possibilidade de chuva em vários trechos da viagem. Vesti toda a indumentária como calça e jaqueta impermeável, luvas, capacete. GPS ajustado na parte interna do párabrisas da moto. Confesso que o único momento que senti medo foi quando tive que atravessar um trecho da linha vermelha no Rio de Janeiro devido ao risco de assaltos.

Vale lembrar que já fazia 20 anos que eu não pilotava e tinha que me adaptar a uma motocicleta de 900 cilindradas muito veloz e ágil. Por isso a cautela e precaução devem estar presentes o tempo todo e todo o cuidado pouco. Procurei manter velocidades bem baixas o tempo todo, afinal até o vento forte batendo no peito e o ruído da turbulência no capacete eu estava estranhando, pois não estava mais acostumado a isso.

Mas a moto é maravilhosa, responde instantaneamente a qualquer puxada no acelerador e a retomada de velocidade é muito rápida.

A PRIMEIRA PARADA

Após ter andado cerca de 300km cheguei em Aparecida-SP. Um momento para reflexão e oração na Basílica de Nossa Senhora Aparecida. Agradeci a Deus por tantas benção que ele tem me dado e principalmente por este presente que é a Moto. Após esta pausa, sigo viagem e próxima parada em Jacareí-SP para almoçar naquele momento já era 13:30 e eu ainda tinha que chegar até Curitiba-PR. Pela primeira vez consigo me alimentar um pouco melhor, já faziam vários dias que eu não me alimentava direito devido a ansiedade e preocupação, cheguei a emagrecer quase 3 quilos, isto para quem já é magro como eu é demais.

Seguindo minha viagem, atravessei a Marginal Tietê em São Paulo até encontrar a saída para a Rodovia Régis Bitencourt que liga São Paulo a Curitiba, Passei Taboão da Serra, Itapecirica da Serra passando por Registro por volta das 18:00 com o dia já começando a escurecer. Por um momento pensei em ficar por ali para não ter que andar a noite, mas achei melhor seguir viagem e tentar chegar o mais próximo possível de Curitiba para deixar o mínimo possível ao dia seguinte.

A noite estava avançando, muitos caminhões na estrada, chuva em vários momentos, cançasso tomando conta de mim e nada de aparecer algum hotel descente para repousar. Cheguei a parar em um hotel de beira de estrada, mas fiquei com tanto medo do aspecto do local que mesmo após ter dado entrada e já estar dentro do apartamento, recolhi minhas coisas vesti novamente minha indumentária e me mandei dali, pois corria o risco de acordar de manhã e não ter mais a minha moto.

Segui minha viagem, estava completamente exausto e assustado, pois um caminhoneiro já tinha me alertado para tomar cuidado porque com a chuva os riscos de derrapagem aumentam em função do óleo na pista. Cheguei em Curitiba às 22:30 minutos, até que enfim um hotel bom e confortável. Naquele momento minha filha liga, já muito preocupada e aflita pois não tinha notícias minhas desde as 16:00.

SEGUNDA E ÚLTIMA ETAPA DA VIAGEM

Domingo 07/03/2010 após um bom café da manhã sigo viagem, são 8:00 da manhã, novamente está chovendo e o dia se alterna com momentos de chuva e sol. Pouco depois das 13:00 estou passando por Palhoça-SC, vejo que tem um princípio de congestionamento. Parei para almoçar e descobri que houve uma queda de barreira no morro do cavalo cerca de uns 20 kilômetros dali. Ao seguir viagem descubro a primeira grande vantagem de ser ter uma Motocicleta, enquanto todos os carros estavam completamente parados no congestionamento eu seguia viagem ultrapassando todos eles em segunda marcha a uns 20 ou 30km por hora. Resultado atravessei todo o congestionamento até chegar lá na frente quando o trânsito estava começando a ser liberado.

Para encurtar a história, cheguei em casa ás 19:00 de Domingo. Depois de alguns minutos de entre olhares com a esposa veio o abraço de reconciliação e um pedido por parte dela para nunca correr em alta velocidade. Pedi desculpa pela minha atitude e disse que eu tinha que realizar este sonho, e que isto era muito importante para mim. Prometi para ela que jamais vou andar de modo irresponsável a ponto de colocar em risco minha integridade física.

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